Longos percursos

Meet way

Mar da alma

with one comment

Taiki passeou à beira-mar e o marulhar das ondas amainou o seu cérebro confuso e inquieto… Esqueceu por uns instantes tudo o que o perturbava e, naquele momento, pareceu sintonizar completamente com a natureza que o envolvia… Aquela paz que parecia tão difícil de alcançar e afinal estava ali… Naquele mar a entrar-lhe pelos ouvidos, pelos olhos… a invadi-lo completamente… Sentou-se num rochedo e foi nesse momento que sentiu que podia ali mesmo dizer a Loiris tudo o que sentia desde que esta o tinha deixado:
– Minha querida Loiris… e uma lágrima assaltou os seus olhos e acariciou a sua face…
– Minha querida Loiris, preciso de dizer-te quanto me dói estar sem ti! De quanta raiva tenho por teres partido… Sei que não gostarias de me ver neste estado, mas como posso fingir que estou bem, se não estou? Como posso… Como posso voltar a amar alguém e ter a certeza de que não me deixará tão repentinamente como tu? Não quero voltar a sentir este vazio… Mas também não posso viver sem amar… Querida Loiris… Fazes-me tanta falta! Sabes…, imagino que sim, conheci há pouco tempo Stella… Ainda não sei bem o que sinto por ela porque ainda estás muito fresca em mim… E tenho tanto medo… Tanto medo…
Ficou assim em silêncio, apreciando o mar e sentindo as lágrimas que teimavam em cair-lhe dos olhos. Inesperadamente, sentiu alguém atrás de si…
Virou lentamente e…era ela. Um vestido branco, uma cara serena, brilhante…um sorriso.
Taiki instintamente, petrificado, recuou. Ela falava mas ele não ouvia nada.
“Estou a sonhar, não preciso de estar com medo” – murmurava, mentalmente, Taiki.
– Não podes viver sem amar.
Taiki sentiu que seu corpo tinha estado congelado e que agora começava a derreter com o sentido auditivo a (re)nascer. Toque suave na sua face. A mão dela tão branca, com um aroma tão puro, fê-lo sentir-se uma criança, em paz.
– Não tenhas medo, eu sei que é difícil continuares sem mim, mas liberta o teu amor… Stella é uma pessoa fantástica, ama-a como se fosse a mim ou ainda mais…
– Taiki? Taiki? Que fazes aqui a esta hora? Estás gelado…
Taiki despertou de algo, que nem mesmo ele próprio sabia se era sonho ou realidade… Com a Stella a chamar por ele e as palavras de Loiris a ressoar na sua mente: – Não tenhas medo, eu sei que é difícil continuares sem mim, mas liberta o teu amor… Stella é uma pessoa fantástica, ama-a como se fosse a mim ou ainda mais…
Uma aragem fresca passou-lhe ao de leve pelo rosto como um beijo, como uma carícia de despedida com uma mensagem dentro. Que lhe queria dizer aquela aragem?
Stella abraçava-o e ele deixou que lhe aconchegasse o corpo gelado no seu quentinho, abandonando a cabeça no seu ombro, fechando os olhos, sem querer pensar nada. Mas pensava. Taiki pensava que há coisas que não se devem adiar tanto tempo. Pensava e pensava, tentando respirar aquele ar impregnado de maresia.
O vento, por vezes, traz-nos perfumes de recordações, e incita-nos na procura de um sinal de permanência nelas, ou então de um ponto de viragem.
Sim, claro, percebia, tinha recebido um beijo de despedida de Loiris. Era essa a mensagem definitiva que lhe roçou a face, a dizer-lhe que não podia viver agarrado a uma recordação que não podia frutificar. Era preciso encerrar um capítulo da sua vida, para que vida nova brotasse. Mas não seria nada fácil… não seria nada fácil…
A carta fora escrita, entregue em mãos e respondida. Mesmo que não estivesse à espera de resposta, e não estava, a resposta viera. Viera num leve bater de asas de um anjo que o rodeou num voo perfumado de maresia. Sentiu novo roçar pelo rosto, nova aragem, novo beijo. Estremeceu, abrindo os olhos na procura dessas finíssimas asas transparentes, mas o que encontrou foram os lábios de Stella tão perto dos seus:
– Olha como tremes. Que ideia a tua vires para aqui, assim, sem um casaco… e o susto me pregaste!
Olhou para ela, incapaz de articular palavra, mas aconchegando-se mais naqueles braços, verdadeiros e seguros, que o puxavam para fora do areal.

(um grande abraço à Sandra e Fa. Adoro-vos! *)

Written by fontez

Maio 5, 2011 at 9:41 pm

Publicado em Sem categoria

A carta por escrever

with 2 comments

A mão de Taiki estava irriquieta, o papel amofo e a caneta parecia querer fugir.
A alma vagueava sem receio de aterrar.
Levanta-se e vai à janela. Chove. Gotas brilhantemente tristes.
O vazio e o passado é o ar que respira. Taiki resolve ligar o rádio. Noticias do costume. Sem pachorra para ouvir o mesmo de sempre apronta-se para desligar o rádio, até que começa a dar uma música…e fica aterrado. “Porra, como as noticias tristes puxam outras tristezas…”
Sem forças para desligar o rádio, resignadamente fica a ouvir a música sentado no sofá…
I can tell by your eyes
That you’ve probably been crying forever
And the stars in the sky don’t mean nothing
To you, they’re a mirror.

I don’t wanna talk about it
How you’ve broke my heart
If I stay here just a little bit longer
If I stay, won’t you listen to my heart?
Oh, my heart…

If I stand all alone
Will the shadows hide the colors of my heart?
Blue for the tears, black for the night’s fears
The stars in the sky don’t mean nothing to you
They’re a mirror.

I don’t wanna talk about it, how you’ve broke my heart.
But if I stay here just a little bit longer,
If I stay here, won’t you listen to my heart?
Oh, my heart…

Estático a olhar para a janela, sente-se um fantasma.

Com tantos pensamentos a invadir-lhe a mente e a confundir os sentimentos. E aquela música… won’t you listen my heart? Porque é que tentamos sempre compreender o incompreensível? Foi a interrogação que o invadiu repentinamente e o deixou com uma vontade enorme de não pensar em mais nada, de esquecer tudo!
– Preciso de sair daqui, de desaparecer por uns tempos para pôr as ideias em ordem! Preciso de me compreender! Mas… e Stella? Não posso abandoná-la assim, sem mais nem menos. O que poderia ela pensar? Talvez não quisesse voltar a ver-me se a deixasse naquele momento, sozinha com o avô… Mas porque é que não entendo o que sinto? Este desejo imenso de estar perto dela e um medo enorme… mas medo de quê? Porquê? Taiki descobriu naquele momento que o que o bloqueava era esse medo de ser feliz! Medo de que o seu coração voltasse a amar e visse novamente partir o seu amor, deixando-lhe aquele sabor agro-doce de algo inacabado, que, no entanto, marcou para sempre a sua vida e o tornou um desconhecido para si mesmo. Não queria voltar a sofrer daquela maneira, mas também não estava bem assim… Queria estar com Stella.
Quando finalmente despertou dos seus pensamentos, deu-se conta de que encontrava ali, diante da janela, há já duas horas… Olhou para a mesa e lá estava o papel e a caneta, ainda não tinha escrito nem uma linha…
Queria escrever para Loiris, mas era tão difícil… Cada vez que pensava nela sentia uma imensa revolta por ter partido assim tão inesperadamente… e era isso que lhe queria dizer, que não suportava a sua ausência, que a queria de volta! Queria perguntar-lhe porquê, que lógica tinha morrer na flor da idade e deixá-lo assim?… E tantas, tantas coisas…
Não conseguia escrever daquela maneira, precisava de serenar e deixar que a paz o invadisse para poder escrever a Loiris e recomeçar a viver…
– Preciso de respirar… E saiu de casa, adiando a tarefa da escrita!

(um abraço, dear Sandra, gostei)

Written by fontez

Dezembro 9, 2009 at 10:26 am

Publicado em 1

Coração descalço

with 7 comments

Há histórias nascidas da bruma e do sol poente. Há poemas que se soltam de terramotos e de tornados. De vendavais. De névoas; ou de brisas mansas. Há laços feitos de marés e de encantamento. Poeiras de nebulosas que são gritos de esplendor. Ventanias – canções de amor.
Hesitantes, embalados por um sentimento oceânico, movidos por um sopro do olhar, experimentam tocar-se. E acontece o abraço… quente. E nele dois corações que pulsam em uníssono…
Foi uma carência de alma e de corpo que o fez afogar-se bem no meio daquele mar.
Seria tão inesperado assim? Será que mesmo nada o faria prever?
No fundo, lá bem no fundo de Taiki, uma secreta e escondida esperança de que pudesse acontecer. Ele sabia, tinha lido de Jorge Amado, que «A felicidade não se pode alimentar apenas de recordações do passado, necessita também dos sonhos do futuro.»
E o futuro se calhar estava ali, agora, naquilo que lhe parecia um sonho. Algo como música dançava, rodopiava em volta. Os olhos de Taiki abriram-se e as lágrimas retidas escorregaram-lhe em gotas pelo rosto insaciado. E as palavras não ditas a quererem-se adivinhar nos olhares…
Uma necessidade contida de ter alguém, nascida da aurora perdida, fazia com que se sentisse cada vez mais carente…
É quando o perpassa uma vertigem de medo: porque é que as mulheres não trazem manual de instruções? E atrapalha-se como um menino perdido, ali, de coração descalço.
– Oh! Eu não sei o que sinto…
E os braços descaem, o laço desfaz-se. Taiki olha para Stella na busca de uma resposta capaz de esclarecer as dúvidas do seu coração. Stella, porém, desvia o olhar, talvez temesse descobrir que também ela não encontra respostas para as suas próprias perguntas.
Por breves instantes, um silêncio paira no ar e nessa fracção de tempo estática, em que ambos se encontram perdidos, é possível ouvir-se dois corações bombearem o sangue com mais intensidade. Mas ter-lhes-á ocorrido que estavam a sentir mutuamente o mesmo bater de coração? Talvez o peso do pensamento que procura o que não encontra, não lhes tenha permitido tal percepção… quando tentamos racionalizar os sentimentos, perdemos as sensações – mas que dois que ali estavam!
Já a sentir-se embaraçado o suficiente com aquele silêncio constrangedor, Taiki beijou a face da amiga e saiu sem nada dizer. Stella, igualmente atrapalhada e não sabendo o que dizer, também correspondeu-lhe com um beijo na face.
No regresso à casa, Taiki sentia-se um pouco tonto com o que tinha passado, a voz de Stella, o seu olhar, a música, todas as imagens e sons daquela noite misturavam-se agora na sua mente e absorviam-no como nunca antes lhe acontecera.
Nervoso mas calmo, Taiki estava no limbo do paradoxo do passado e futuro.
O coração a puxar para o futuro e a saudade para o passado.
O curioso é que nascia uma semente. Taiki sentia falta de Stella. A carência tem das suas. Como um rio bravo, o sangue cambaleava pelo coração de Taiki. Os sentimentos aos berros, pensamentos esperançosos e o medo vigilante.
Taiki resolveu escrever uma carta.
“Querida Loiris…”

(um querido beijo para Fa e Deza)

Written by fontez

Novembro 11, 2009 at 12:30 pm

Publicado em histórias

a melodia

with 2 comments

Enquanto caminhava em direcção a casa de Stella, toda a vontade impulsiva que o assaltara poucos minutos antes parecia desaparecer repentinamente. Quanto mais se aproximava, mais lhe tremiam as pernas e os pensamentos invadiam-no, sucedendo-se compulsivamente, sem lhe darem descanso: – O que irá pensar Stella por me ver a esta hora em sua casa? E o seu avô? Não irá chatear-se com Stella por ver àquela hora um estranho em sua casa? Estaria a fazer bem? Não seria melhor deixar para outro dia esta tão desejada visita a Stella? Como irá reagir Stella? Não, que tonto sou!!! Vou-me embora… Mas… Já que aqui cheguei… Debatia-se assim interiormente com uma enorme vontade de ver Stella, mas também sem vontade de a desiludir e acabar por estragar esta amizade com a sua falta de paciência… Mas que coisa!!! Porquê sempre esta luta na sua mente??? Esta incerteza de estar a ser invasivo e esta vontade da companhia de Stella… Qual delas iria vencer esta noite?
Chegou Taiki aquela casa cor-de-rosa onde morava Stella, aquela casa ali tão perto que hoje lhe tinha parecido tão distante… É interessante como o tempo parece tanto ou tão pouco, dependendo da intensidade com que o vivemos e das decisões que precisamos de tomar… E ali estava ele com mais um dos seus dilemas existenciais… Tocou à campainha e aguardou o resultado de um tão pouco lúcido acto… Passados poucos segundos Stella encontrava-se à sua frente:
– Taiki? Que aconteceu?
Taiki estava lívido…tanto tempo naquele percurso para chegar a sua casa e nem sequer foi capaz de pensar no que lhe diria… Ficou momentaneamente sem reacção… De tal modo que Stella chamou-o à terra:
– Taiki? Taiki? Estás bem?
– Haaa… Stella, sim claro! Desculpa… Está tudo bem! Passei por aqui e resolvi fazer-te uma visita para ver como estavas! Desculpa se fiz mal, se não é boa altura… era só…
– Ok, Taiki – interrompeu Stella – não precisas de dar mais justificações! Fizeste bem em ter passado, fico feliz por te ver. Queres entrar para tomar um chá?
Taiki nem queria acreditar no que estava a ouvir, Stella parecia feliz por vê-lo e convidava-o agora para um chá… Não lhe parecia verdade!
– Sim, claro, é com todo o gosto que tomo um chá contigo, minha querida amiga. Espero não incomodar e não chatear o teu avô, não quero criar problemas para ti.
– Não te preocupes, não chateias nada e quanto ao meu avô já está a dormir. Só precisamos de fazer pouco barulho para não o acordar, embora tenha um sono pesado, não te preocupes.
– Entra!
– Obrigado, minha amiga! É uma grande honra e uma alegria imensa estar aqui contigo. É que, por vezes, a solidão é demasiado pesada para ser vivida… É bom ter amigos com quem partilhar o que sentimos e poder falar abertamente.
Stella olhou o amigo com um misto de ternura e admiração. Ternura por aquela pessoa fantástica que estava à frente a precisar de carinho e compreensão, a quem lhe apetecia abraçar com um abraço de sincera amizade e admiração pela sua sinceridade. Também ela gostaria de ser capaz de dizer assim abertamente quais as suas necessidades, mas não, para ela sempre foram mais importantes o que os outros sentiam e esperavam dela do que as suas próprias necessidades. Talvez isso se devesse ao facto de, desde cedo, ter tido a necessidade de cuidar dos outros, esquecendo-se a si mesma. O facto é que não era capaz de dizer assim abertamente tudo o que lhe ia na alma.
– Óh… Taiki, até fico envergonhada… Mas, diz-me, meu amigo, o que andavas tu a fazer a uma hora destas para passar por aqui? Já me contas essa história bem contada, primeiro vou preparar o nosso chá.
Taiki também estava envergonhado! E agora o que é que eu vou dizer, pensava enquanto Stella aquecia a água do chá.
– Vá Taiki, estás a deixar-me curiosa…diz lá amigo!
-Bem…não é nada de especial…apenas estava em casa sozinho e lembrei-me que podias fazer-me companhia…e…
-Ah!! Então era mesmo só isso! Estava a ver que era alguma urgência…
Não era de facto uma urgência para Stella, mas para Taiki tinha sido uma espécie de necessidade urgente ter a companhia da amiga.
Enquanto Stella servia o chá, Taiki observava a delicadeza com que Stella fazia cada movimento. Planava um silêncio na cozinha…
– Então e o teu avô? – tentou Taiki meter conversa enquanto punha açúcar no chá.
– Ah já está a dormir há algum tempo! Conta mais coisas, Taiki.
– Eu já tenho contado muitas coisas, fala-me sobre ti agora…
Stella bebeu um grande gole de chá e pela primeira vez com um olhar cabisbaixo disse:
– Não tenho muito mais o que dizer sobre mim… os meus dias não são muito diferentes do que já viste. Dedico imenso tempo a cuidar do meu avô e desta casa e sempre que posso faço uma pausa ali… – e apontou para a sala de onde se via ao pé da porta um piano.
– Pois, todos temos rotinas, eu percebo… mas que óptimo, tocas piano?!!
– Errr… não sou pianista a sério, o que toco é o que as minhas mãos inventam no momento, não sei tampouco ler uma pauta musical. Sei algumas melodias de cor de tanto ouvir a minha avó tocar, quando ainda era viva.
-Oh! Adorava ouvir-te tocar, um dia podes tocar uma música para mim? – Entusiasmou-se Taiki com a novidade.
– Claro! Vamos até lá… – a hora era avançada, mas o avô de Stella provavelmente não se ia importar com a música, até porque não a podia ouvir, devido a fraca audição que tinha.
Taiki sentou-se então no sofá e Stella abriu o piano, sentou-se no banco, respirou fundo e começou a tocar… wow, era uma música linda, invadia a alma de Taiki e enchia-lhe o peito. A sala parecia ter sido tomada por uma atmosfera mágica. Taiki fechou os olhos e manteve-se concentrado apenas na melodia que ouvia. Que refresco, pensava e sentia ele.
– Taiki, Taiki… – Stella tentava “acordá-lo” enquanto batia-lhe no ombro. – Então gostaste da música que toquei para ti? – e pôs-se diante do amigo à espera de uma resposta.
– Ahh…opss…desculpa. Fiquei absorto. Os teus dedos produziram algo de muito belo e suave. Parece que estava a voar ao lado da brisa tocando ao de leve nas folhas das árvores…vi o sorriso dos passaros…a ternura presente nos ninhos…
– Ohhh Taiki não me deixes envergonhada…!
– Fui sincero. Senti algo mágico na melodia. Não sou adepto de dizer coisas só para agradar.
Stella sentiu-se elogiada. Gostou.
– Será que o teu avô ouviu?
– Creio que não. Ele já dorme há algum tempo e a audição não é das melhores.
Algo nervoso por não saber o que dizer mais, Taiki desafiou Stella:
– Adorarias tocar outra música?
– Gostas de ouvir músicas péssimas é isso eheh?
– Stella, o mar é algo péssimo?
– Mas a que propósito vem o mar? E não, não é péssimo mas sim algo de contagiante, imprescindivel e tocante.
– Isso que acabaste de dizer, é o que eu sinto da melodia que sairam dos teus dedos.
– Ohh Taiki, não sejas assim…
– É preciso trazer uma máquina das mentiras para saberes que falo verdade?
Stella e Taiki encheram-se de gargalhadas. A serenidade deambulava por eles.
Subitamente acontece o inesperado.

Written by fontez

Agosto 8, 2009 at 7:02 pm

Publicado em 1

Chocolate quente e Stella

with one comment

Depois de esvaziar a alma, Taiki agradeceu à jovem o consolo recebido.
– Já sabes…sempre que precisares desabafar, estou por aqui…
– Obrigado, mais uma vez! Já agora, o meu nome é Taiki.
– De nada, Taiki. Ah, e eu sou Stella!
– Até um dia então…
– Adeus, Taiki, e força!!
No caminho para casa, alguma coisa dizia a Taiki que aquela não seria a última vez que estaria com Stella. Apesar do pesado murmúrio que trazia dentro de si e da solidão que o enegrecia, Taiki sentiu que Stella trouxera-lhe uma brisa de ânimo e força. De facto, Stella expirava uma energia muito positiva e contagiante.
Taiki resolvera guardar a carta na caixinha de recordações, que ainda mantinha bem guardada num armário do sótão, e decidira fazer o que Loiris tanto insistira na carta para ele fazer: ser feliz! Embora soubesse que essa missão sem a sua companheira seria muito mais difícil, não admitia agora a hipótese de não o tentar. “Se não consigo por mim, tenho de o fazer por Loiris!”
No dia seguinte, Taiki foi novamente ao jardim e lá estava Stella, no mesmo lugar.
-Olá! Vejo que ainda aqui estás! – disse Taiki a fazer troça.
-Olá Taiki! Que bom voltar a ver-te… pois é, cá estou…acho que ontem não te apresentei, ali ao fundo está o meu avô. Todas as manhãs venho com ele apanhar um pouco de sol e ar fresco.
– Ah muito bem… e moras aqui perto?
– Moro pois! Estás a ver aquela casa cor-de-rosa além?
– Yap.
– É ali…
– Hmm…o que é que aconteceu ao teu avô? Ele já não anda?
– Oh, isso é uma velha história, Taiki. Um acidente de mota em tempos de juventude custou-lhe a liberdade de andar… e depois de a minha avó ter falecido, ele também ficou mudo. Mas somos grandes amigos e, apesar de ele não falar, sei interpretar muitos dos seus sinais.
Taiki sentiu-se momentaneamente egoísta. Afinal, Stella parecia ter uma história de vida que não era nenhuma espécie de mar de rosas, “e eu que só ouço a minha própria angústia…” reflectiu.
À medida que conversavam, Taiki admirava-se cada vez mais da coragem e força da nova amiga. Stella não havia perdido só uma pessoa como ele perdera Loiris, tinha perdido os seus pais, a sua casa e foi obrigada a viver com um casal de meia-idade que acolheu-a, em troca do seus serviços domésticos, mas por sorte sua (sim, apesar de tudo, Stella considerava-se uma pessoa de sorte!), com o passar do tempo, o casal criou laços afectivos muito fortes com ela e Stella passou a ser também da família, daí tratar-lhes afectuosamente por “avós”.
“É com certeza uma história muito dolorosa…” considerou Taiki.
A conversa foi breve, mas comoveu Taiki. A partilha de histórias de vida mostrou-lhe que nunca é tarde para se recomeçar um novo capítulo e Stella era o exemplo real disso.
Não queria despedir-se da agradável companhia de Stella, mas Taiki tinha de voltar às suas tarefas. Convidou-a então para um chocolate quente logo à noite, queria saber mais sobre a nova amiga que parecia ter uma caixinha de segredos da vida para partilhar! Stella surpreendeu-se perante inesperado convite, esboçou um sorriso, olhou para trás onde estava o avô que agora apenas contemplava o verde da relva que o rodeava, voltou a fitar intensamente os olhos de Taiki e disse:
– Agradeço imenso o convite, mas não quero nem posso deixar meu avô sozinho. Sorry.
Apesar de a conhecer há pouquíssimo tempo, foi na mesma como um soco na barriga para Taiki a negação.
– Não lamentes, tomamos o chocolate quente com o teu avô, que dizes?
Nova surpresa a atingir Stella.
– Creio que não, apesar de ser uma ideia nada má. Mas já agora como pensarias por em prática o encontro?
Taiki sentiu-se pouco habilidoso para uma resposta elaborada…e saiu-lhe:
– Trazias o teu avô para minha casa, moro perto e vivo sozinho e não se arrependeriam de irem passar lá um bom serão acompanhado de chocolate quente.
Stella notava o carinho que Taiki mostrava no seu convite…mas sentia-se algo insegura…!
– A ideia é interessante e o meu avô já não estaria sozinho, mas ele fica assustado estar fora do seu casulo, ainda mais à noite, mas obrigada na mesma, caro Taiki.
Ainda lhe passou pela cabeça levar o chocolate quente para casa do avô de Stella, mas viu que estaria a ser demasiado intrometido.
– Está bem Stella, no problem, a gente se vai encontrando por aí…ou aqui!
– Não ficas chateado pois não?
Stella sabia que Taiki tinha ficado constrangido pela cor avermelhada da face.
Taiki foi para casa pensativo, porque seria que Stella não aceitou o convite, estaria com receio dele? Ou seria pensando no seu avô que talvez achasse a ideia de ir a casa de um estranho beber chocolate quente muito perigosa? Fosse como fosse esta noite ia ficar ali em casa sem a companhia tão querida da sua amiga Stella, com tanto que gostaria de lhe perguntar! Paciência, pensando bem, também eu talvez não tivesse ido a casa de um estranho… Embora Stella não fosse propriamente uma estranha. Ou seria isso mesmo? Será que o facto de ter partilhado com Stella alguns momentos da sua vida lhe concedia a honra de a considerar sua amiga? E foi com estes pensamentos que findou aquele dia.
Stella ficou a pensar em Taiki e na sua proposta, porque teria recusado… Não sabia responder a si mesma porque negou o convite tão amável daquele, não sabia bem como chamar-lhe, amigo? Talvez isso só demonstrasse a sua falta de confiança nas pessoas, ou a sua prudência, sempre lhe tinham ensinado a não confiar em toda a gente. Mas isso agora era uma coisa que a incomodava… Quanto gostaria de ter sido menos prudente e acompanhar Taiki a casa e beber com ele chocolate quente, falando até se cansarem… Mas e o avô o que teria pensado da ideia? Talvez nessa noite o melhor fosse mesmo começar a falar ao avô sobre o seu amigo Taiki, para que começasse a ser-lhe familiar. Talvez assim fosse mais fácil que quando Taiki lhe fizesse outra proposta semelhante o avô a aceitasse sem problemas e assim passariam os três uma noite agradável. Muito bem, é isso que vou fazer. Só espero que Taiki não tenha ficado de tal modo triste que não volte a convidar-me. É que da próxima não quero saber de prudência, só me interessa o avô… É claro que se ele não quiser não vou… Mas certamente vai querer, tratando-se do meu amigo Taiki, de quem lhe vou encher os ouvidos.
Estava um dia chuvoso…a penumbra infestava os cantos da casa. Taiki saboreava uns goles de whisky escocês olhando para o nada. A melancolia não deixava em paz a mente do pobre ser, ainda mais neste tempo. As más memórias mastigavam a sua alma. Num estranho impulso, Taiki levantou-se e deu um passeio pelos compartimentos do apartamento, corredor, quarto, sala, cozinha, …, até que parou…e parou de pensar. Resolveu ir a casa de Stella…

(thanks dear Deza, thanks querida Sandra…sinto as vossas energias neste texto.)

Written by fontez

Julho 27, 2009 at 1:29 am

Publicado em 1

O sal de Taiki

with 3 comments

“Pior do que a morte é a solidão… e a minha vida é uma completa solidão”. Murmura Taiki após um breve período de ausência mental.

Ao largo ouve-se uma música alegre, saída de um automóvel parado à entrada do jardim.

– Odeio música! – É um grito saído das profundezas do seu ser.

– Que estupidez! – Escuta.

Boquiaberto volta-se na direcção da voz.

De repente, ali naquele momento, apeteceu-lhe falar com alguém desconhecido. Era-lhe mais fácil abrir-se com alguém que não conhecesse, do que com aqueles que já conheciam o seu drama e o olhavam com compaixão. O que não queria era que tivessem dó de si.

E ali estava, à sua frente, como que caída do céu, a dona daquela voz melodiosa, de tonalidades do nascer do sol, preparadíssima para uma troca de ideias.

– Queres-me dizer qual é o problema? – Pergunta a desconhecida.

Taiki ainda hesita:

– Pro… problema?

– Claro! Quem não gosta de música só pode ter um grave problema. Desde quando é que não gostas de música? – Pergunta a jovem.

– Desde hoje… agora… – mal balbucia Taiki, revelando a sua amargura.

A jovem inquire-o com o olhar e este estende-lhe a carta, decidido a confiar-se-lhe, carente como estava de um ombro amigo.

Ela lê a carta e emociona-se. Aconselha-o a seguir em frente, pois não pode mudar nada do que se passou. Agora só o futuro importa.

– Quem olha para trás transforma-se numa estátua de sal!

– Nós nem nos despedimos… – soluça Taiki, acabando por dar liberdade ao seu pranto, largando ali, naquelas lágrimas, o sal que começara a aprisionar.

– Chora… é melhor chorar do que ficar com um nó na garganta!

A jovem abraça-o, e ali se dá o início de uma amizade…

(thanks dear Fa, bj grande te deixo)

Written by fontez

Janeiro 2, 2009 at 5:11 pm

Publicado em 1

o baloiço

with 6 comments

Está frio. Nunca mais lá chego. Fico com a sensação que estou a subir interminavelmente pelos degraus rígidos e húmidos.

“Será que ela vai gostar de me ver?” Como matuteia minha frágil mente…!
Há muito que não vinha aqui, desde a despedida da minha querida Loiris.
Deve faltar pouco…! A brisa nauseabunda que paira leva-me a crer que o condomínio impera pelo ócio.
Puxa…como me está a custar subir…!  Será que estou a subir para o céu? Admito que adoraria…iria encontrar concerteza minha amada. Iria abraça-la tão profundamente que não voltaria descer.

“As estrelas são tão lindas que o seu brilho nos cega de beleza!” – dizia sempre Loiris nas nossas noites de paz, abraçados pela noite a dentro, na poltrona micando o céu.
“Eu adoro a cegueira my princess, e tens razão no que dizes pois vivo a cegueira com paixão abraçado a uma estrela! E não quero ver mais, quero ser cego para sempre ao teu lado…!”

– Olá Taiki! – era a mãe de Loiris, que até me assustou um pouco…pois estava mergulhado nos meus pensamentos.
– Ol..á dona Mary!
– Que tens feito seu malandrinho? Há muito que não te via…!
– Tenho andado, divagando por aí…!
– Filho, eu sei que tens andado mal…mas sabes que a nossa querida Loiris está bem na casa de Deus e tem torcido por  nós…por isso começa já a sorrir antes que me chateie …!
Não querendo desanimar, lá soltei um disfarçado sorriso.
– Ohh, que sorriso tão maquilhado…ai ai,…entra, entra…!
Mal entrei, meu ser foi esmagado com a visão de uma lindíssima foto de Loiris presente no móvel do hall de entrada.
“Não imaginava que a cruz fosse tão pesada…as saudades, o teu vazio tem-me destruído my love…tem sim…!”. Estou diferente. Outrora egoísta, frio, rígido…e agora um mole, inseguro…quero lá saber de mim…! “Oh my God…”

– Um chazinho de cidreira assenta bem nesta humidade não achas lindo? – perspicaz era Mary a interromper quando pressentia tristeza.
– Não seria má ideia…! – (se bem que preferisse um whisky)
– Malandrinho, as tuas ironias não me escapam … rs … sei que adorarias um cálice com paladar escocês…mas sabes que a vida tem pernas não para se ficar acomodado na infelicidade…mas sim para andar, com coragem e alegria…não sabes?
Como admirava e invejava a forte alma da dona Mary.
– Só sei que nada sei.
– Ohh, não me venhas com Sócrates…já basta o nosso andar por aí com magalhães…eheh!
Soltou-se-me um sorriso genuíno desde que Loiris se foi.
– Yes, já te apanhei um sorriso verdadeiro, agora é só falar de outros magalhães e teremos uma noite de comédia..eheh! – ela referia-se ao vizinho James Magalhães que fez uma viagem com a esposa em contra-mão e que só deram conta do feito quando chegaram ao destino, sem estragos.
– Dona Mary, gostava de ir ao quarto de sua filha…! – estranho ter tido tal ideia.

– Oka..y filho mas o que…ok vamos… os dois que dizes?
– Po..de ser!
Como me custava … minhas pernas tão pesadas estavam…não do cansaço da subida, mas do medo de ficar afogado em tristeza.
-Vamos Taiki?

Estava tudo igual…tão arrumadinho, tão perfeito … comparável ao brilho de minha outrora estrela. Sinto meu corpo arrepiar…sinto-te Loiris…sinto teu ser me sussurrando.
Inesperadamente, dona Mary chora…e chora…!
“Minha querida filha…minha Loiris…minha menina…tão linda…!”
Como se empurrado por algo…abracei-a profundamente!

– Ohh Taiki, até as pedras tocadas pela dolência se esmorecem, ficando polidas de sofrimento…!
Tal desabafo fez confirmar o que suspeitava…que o calor da tristeza entra no mais ínfimo gelo que criamos no nosso coração. Já imaginava que toda aquela alegria era manobra de tapar a tristeza que dona Mary tinha. De repente Mary olha para mim. Tão profundos e angustiantes eles estão. Incisivo e molhado olhar espetado no meu. Ela me esconde algo, sinto!
Suas mãos frias em contraste com o calor da minha face…! Suavemente acaricia-me…e…
– Filho vais me perdoar?
– Mas…perdoar o quê? Não tenho nada para lhe perdoar…!
– Terás sim, e espero que me perdoes…!
– Mas…?!
– Perdoas-me Taiki?
– Mas o quê dona Mary? – já estava algo irrequieto.
Um presságio deambulava pelo o ambiente. Sinto.
– Lindo, vês aquele envelope na mesinha de cabeceira?
– Sim, vejo…

– Aquele envelope é para ti, Taiki…
– Para mim?! – Taiki continuava inquieto, mas agora ansioso também.
– Promete-me que vais ler o que lá está escrito com o coração, filho. Só assim poderás um dia perdoar-me e compreender tais palavras.
– Está bem dona Mary, mas eu não sei se… não sei…
– Não sabes se me consegues perdoar… eu compreendo. Vou te deixar sozinho enquanto lês… – e dona Mary retirou-se; parecia sofrer de uma dupla perda. Perder a amizade de Taiki poderia se tornar ainda mais doloroso que “superar” a perda da filha.
– O que tem este envelope? – não parava de se interrogar. Sinto as mãos frias e o coração acelerado, que ansiedade, que medo, que angústia! Talvez seja melhor não ler… talvez não esteja preparado… eih, não! Foi a minha amada que me escreveu esta carta, não a posso recusar… – contrariou os seus pensamentos e segurou a carta.

Taiki estava indubitavelmente confuso e inseguro. Resolveu despedir-se de Dona Mary, que nada disse, e ir vaguear pelas ruas da vila, pois as recordações daquele quarto eram demasiadas fortes para conseguir concentrar-se, parecia sentir ali a presença de Loiris. A meio do caminho, encontrou um jardim, verde e florido, um lugar sereno e familiar. Sentou-se num baloiço – e que belo baloiço! Enquanto baloiçava e ouvia o chiar das correntes, recordou-se da sua infância e de como sentia-se seguro e protegido naquela altura, na verdade, era esse sentimento que agora precisava…

-Vou abrir a carta! Está decidido! – Parou o baloiço e abriu vagarosamente o envelope como se fosse, de facto, uma verdadeira preciosidade que merecia todo o cuidado ao ser manuseada. A folha já estava amarelada, era mesmo a letra de Loiris, oh há tanto tempo que não via de perto algo da minha amada! Aproximou-se um cão vadio e interrompeu a admiração de Taiki… “Oh amigo, não tenho nada para ti…- e fez festinhas ao cão – mas vamos lá ouvir o que tenho aqui…”

“Querido Taiki, a razão pela qual te escrevi esta carta foi não ter sido capaz de te ver sofrer a minha dor e a minha ausência. Como poderia suportar olhar-te nos olhos e ver todas as estrelas apagadas? E o teu sorriso escondido? Não conseguiria, Taiki.

Prepara agora o teu coração porque o que te vou confessar pode ser muito doloroso para ti, meu querido, mas tens de saber, não te consigo ocultar isto para sempre, não é justo para ti! Mas espero que consigas perdoar-me a mim e a minha mãe que durante todo este tempo tem sido a minha cúmplice e que suponho que esteja a precisar imenso da tua amizade, neste momento.

Há muito tempo, foi-me diagnosticada uma doença rara, aparentemente assintomática. Eu sempre soube que a minha esperança de vida era muito reduzida e quando te conheci, Taiki, desejei como nunca viver para sempre, ou pelo menos, viver mais tempo do que aquele que me estava destinado. Na verdade, eu já só tinha mais um ano de vida… não fui capaz de te dizer isso, Taiki! Perdoa-me ter feito planos contigo sabendo que a minha vida já está numa fase terminal e a qualquer hora o meu coração pode parar. Se calhar, não deveria te ter feito perder tempo comigo, mas se estou viva até hoje, 5 meses a mais do que estava previsto, é graças ao teu amor…obrigada!

Taiki é com muito carinho que te peço: não deixes de realizar os teus sonhos, quer eu esteja ao teu lado ou não, eu estarei sempre no teu coração. Nunca te esqueças disso, meu amor! Quero que sejas feliz, quero que concretizes todas as coisas que me contas hoje… não quero que deixes a tua vida tornar-se apática, não quero que pares os nossos planos só porque já não posso estar ao teu lado. Continua a lutar, luta por mim, vive a vida como não pude viver, por favor, Taiki, não cruzes os braços nem desperdices a oportunidade de viver e ser feliz.

E perdoa-me, eu preciso que me perdoes, Taiki!

Tenho de despedir-me, vou passar hoje a noite no hospital, tenho medo de fechar os olhos e nunca mais voltar a ver-te… mas ficarei para sempre contigo! Um grande beijo e… tens uma missão, lembras-te? Cumpre-a por nós.”

Taiki ficou anestesiado… enquanto lia a carta, pareceu estar mesmo a ouvir a voz da sua amada Loiris, não pôde interromper a leitura, absorveu aquelas palavras como se isso fosse o que agora o mantivesse a respirar!
Não chora, não sorri, não grita, o seu mundo parou naquele baloiço. Que deserto na alma!

Conseguirá Taiki recuperar o fôlego?

(F&Deza)

 

Written by fontez

Novembro 23, 2008 at 11:52 pm

Publicado em histórias